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         Domingo V da Quaresma

Uma palavra fraterna.

A Palavra de Deus tem a capacidade de sempre nos surpreender com a sua força, beleza e atualidade. Está viva. É doce como o mel, afiada como uma espada de dois gumes. O Evangelho deste domingo confronta-nos com a morte. A morte brutal e incompreensível de um irmão, um amigo. Lázaro, poderia ser cada um de nós, uma imagem da humanidade, toda ela ferida. Experimentamos a alegria de uma vida sem barreiras, sem limites. Tudo parecia possível, pois tudo era possível! A nossa terra, que despojamos sem piedade alguma, grita a sua desolação. O Tentador, o Sedutor, amarra as nossas mãos e pés, mas acima de tudo, os nossos corações. Estamos presos a uma lógica que não controlamos. Nós, que pensávamos que estávamos vivos, e aqui estamos nós, como mortos.

“Senhor, Vós amais quem está doente”. Com a notícia da morte do Seu amigo, o coração de Jesus contorce-se de dor, pois Ele sangra com a perspectiva da Sua própria morte, no jardim do Getsémani. Deus não quer a morte. Ele toma para Si a nossa dor, toda a nossa revolta. Ele que poderia ter recusado o sofrimento, a própria morte. Mas, Ele parte ao encontro do seu amigo Lázaro, para Jerusalém, lugar onde também será crucificado.

“Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.” Mas, não! Porque Jesus não salva à nossa maneira. A morte tem que ser consumada. Os nossos olhos devem estar abertos à dimensão dos nossos pecados, devemos desistir de nos salvar a nós mesmos, para que, voltemos a Cristo, de mãos vazias, com um coração pobre e com sede. Mais forte que a sua dor e a sua revolta, há a confiança de Marta: “Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá».” A fé de Marta abre uma brecha através da qual Jesus se revela inteiramente: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?».” Jesus é Vida em plenitude, jorrando fonte de Vida. E porque Ele não guarda nada para si mesmo, Ele nos torna participantes desta Vida, dada pelo Pai, na comunhão do Espírito. Ao dar a Sua vida livremente na cruz, Jesus dá vida à vida divina, a essa comunhão de amor. A Sua morte é o despertar de uma nova criação. A nossa humanidade é renovada, recriada.

 “«Lázaro, sai para fora» … «Desligai-o e deixai-o ir»… Jesus, mestre da vida, tira-nos dos nossos túmulos onde muitas vezes nos encontramos enclausurados, mas, para que isso possa acontecer não deixamos de precisar dos nossos irmãos e irmãs, para nos libertarmos de tudo o que nos impede de sermos livres, o nosso egoísmo, inveja, cobiça, soberba. Esta é a maravilhosa vocação da Igreja: ser instrumento da misericórdia divina, desatando os laços de todas as nossas servidões.

Senhor Jesus, Mestre da vida, uma vez mais nos dirigimos a Vós para Vos dar a conhecer, aos nossos irmãos e irmãs, muitos deles atingidos pela doença. Também, o nosso mundo está cansado de todos os seus excessos. Concedei-nos a graça de nos convertermos, de modo que, desta crise multifacetada, nasça uma nova humanidade, uma humanidade reconciliada.

Para todos, e através de cada um de vós, junto daqueles que mais precisam, uma palavra de esperança, fraterna e amiga, nesta caminhada de Quaresma, rumo á Páscoa do Senhor.

Pe. João Valente